— Guto Lacaz, artista plástico, quando perguntado sobre a pior invenção da cidade de São Paulo. Na revista São Paulo (Folha de SP) de 5 de setembro de 2010.

Só se fala em Michel Teló. Deixem o rapaz fazer o sucesso dele em paz! De tão comentada, fui ouvir a tal música na semana passada. Sua repercussão mundial é um fenomeno que não dá para deixar passar em branco.
Não dançamos conforme a música. A música é que toca conforme dançamos. O mundo caminha a passos largos rumo à uma “idiocracia”. Então nada mais natural do que uma trilha sonora para retratar esse momento histórico.
O que pude constatar é que, lá fora, essa música do Teló é levada tão a sério quanto “Macarena”. Uma brincadeira para a boiada ficar coreografando. Relevância musical, zero (apesar da enorme relevância cultural/antropológica, que não podemos desprezar). Um mega sucesso comercial, mas não passa disso. Não dá para dizer que fizeram uma boa música, mas é certo que fizeram um ótimo negócio! Bom para os autores e demais envolvidos.
Aliás, estão deixando de dar os créditos para a pessoa certa. O mérito maior é dos autores, Sharon Acioly e Antônio Digs. Ela já havia escrito a sensacional ‘Dança do quadrado’ e agora está usando seu talento para garantir sua aposentadoria com os direitos autorais de ‘Ai, se eu te pego’. Quem me dera! Ai, ai, quem me dera!
(…)
O destaque da novela é, principalmente, o texto. (…) Cocteau para as massas. Bons tempos em que a TV não se preocupava com a nova classe média.
(…)
Uma aula de dramaturgia aplicada numa época em que a telenovela está em crise e que faz a TV voltar a um tempo em que não se confundia novela com ‘Zorra total’."
— Artur Xexéo - Revista O Globo - 25/12/2011
(…)
“Não tem Armani que salve uma figura. Sou pela Vivienne Westood (estilista inglesa) que diz que a roupa sempre fica bonita no corpo de quem é ético."
—

Estilista Ronaldo Fraga em entrevista para a coluna da jornalista Mônica Bergamo (Folha de SP, Ilustrada, 25/12/2011)
— Sabendo francês podemos ser mais felizes (Ignácio de Loyola Brandão) - O Estado de S.Paulo - 4 de novembro de 2011
— É tudo tão simples (Danuza Leão)
— É tudo tão simples (Danuza Leão)
—
Miranda July em entrevista para a revista Serafina - Folha de S.Paulo - Setembro 2011


A camisa xadrez virou uniforme. Todo mundo parece obrigado a usar xadrez. Querem ser diferentes sendo sempre iguais a todos os outros. Irônico. Essa coisa de moda “ditatorial” me incomoda.
Nos início dos anos 90 usavamos camisa xadrez (que normalmente era de flanela e vivia amarrada na cintura) por conta da adoração que tinhamos pela cena grunge de Seattle. Nevermind (Nirvana) e Ten (Pearl Jam) era a trilha sonora da nossa adolescência. Kurt Cobain e Eddie Vedder, ídolos supremos.
Desde então nunca abandonei o xadrez. Uso até hoje em seus mais diversos padrões. Até pouco tempo atrás quando encontrava alguém usando também, sabia que ali havia resquícios de uma herança grunge deixada na nossa geração.
Mas hoje todo mundo usa xadrez simplesmente porque todo mundo usa. Não tem nenhuma informação agregada. Ovelhinhas vítimas de uma ditadura (da moda). Merecem mais respeito os adolescentes de calça skinny colorida a la Restart.
Não tem jeito, todo mundo quer ser cool: Fazer fotografia, gostar dos filmes do Lars Von Trier, usar camisa xadrez, fazer tatuagem, etc. Até a tatuagem que antes era um sinal de transgressão e diferenciação, hoje não quer dizer nada. Todo mundo tem que ter uma.
Miranda July é uma artista que todo mundo que se acha cool tem que dizer que gosta, mesmo sem saber porque. Então termino esse desabafo com uma frase dela: “Não ser cool é que é ser cool pra mim”. Acho que os wannabe cool que a veneram ainda não entenderam o recado. Transgressão hoje, definitivamente, é não ter tatuagem e usar camisa lisa.